Edição nº 01

XXVII CBP: evento de vanguarda

Em São Paulo, Congresso Brasileiro de Psiquiatria bate recorde de número de participantes e consolida sua representatividade internacional

Em seu brasão, a cidade de São Paulo avisa, em latim: “Non ducor, duco”. O lema, que significa “Não sou conduzido, conduzo”, representa bem a força econômica e política dessa metrópole, que parece ter nascido para ser grande, mas que se tornou gigantesca em força, tamanho e problemas a resolver.

No início de novembro, a capital paulista recebeu um evento que combina com essas características. Em sua 27ª edição, o Congresso Brasileiro de Psiquiatria (CBP) chegou a São Paulo consolidado como o maior da especialidade na América Latina e terceiro no mundo. Foram mais de 5800 participantes inscritos para participar das 150 atividades científicas realizadas entre 4 e 7 de novembro.

O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), João Alberto Carvalho, falou sobre o XXVII CBP. “O evento deste ano atingiu todas as metas. A parceria com as federadas locais foi excelente e proporcionou a qualidade científica que presenciamos. Este tipo de realização nos orgulha e motiva para continuar o trabalho”, declarou.

A organização do evento foi da ABP em parceria com o Centro de Estudos do Instituto de Psiquiatria (da Universidade de São Paulo) e o Centro de Estudos Paulista de Psiquiatria (da Universidade Federal de São Paulo).

Autoridades
Na solenidade de abertura, representantes de instituições científicas e políticas tiveram lugar à mesa cerimonial. Na atividade, o primeiro discurso foi feito pelo presidente da Associação Médica Brasileira, José Luis Gomes do Amaral. Ele destacou as questões relacionadas com as políticas públicas de saúde. “Todos nós sabemos que não há saúde mental sem psiquiatra e não é possível pensar em saúde sem saúde mental”, afirmou o médico paulista.

Em seguida, o coordenador nacional de saúde mental, Pedro Gabriel Delgado, saudou os participantes como representante do Ministério da Saúde. Ele explicou que o ministro José Gomes Temporão não pôde comparecer ao evento, mas repassou uma mensagem aos congressistas. “Estou em posição de assumir que temos dificuldades e que precisamos de apoio das entidades médicas”, declarou.

O presidente da Associação Mundial de Psiquiatria, Mario Maj, fez o terceiro discurso da noite. Ele elogiou o desenvolvimento institucional da ABP e a temática do XXVII Congresso Brasileiro de Psiquiatria. “Eu particularmente gosto do tema central do evento. Não há dúvida que a psiquiatria está na vanguarda da medicina”, disse.

O discurso de encerramento da noite foi feito por João Alberto Carvalho. Ele elencou as ações realizadas pela ABP e apresentou o posicionamento da instituição sobre as políticas de saúde mental. “Quando falamos de saúde mental, temos que começar pelo psiquiatra. As políticas públicas relativizaram a importância do médico. Não temos sido ouvidos como é necessário e isto se confirma nas necessidades emergenciais que estamos assistindo. Insisto que temos muito o que contribuir”.

Internacional
Ao final do evento, Mario Maj avaliou que “O Congresso Brasileiro de Psiquiatria realmente conquistou um nível internacional”. A declaração do presidente da WPA é relevante, mas as duas atividades realizadas pela Associação Mundial de Psiquiatria dentro do XXVII CBP atestam essa posição de forma ainda mais incisiva.

A programação da instituição internacional começou no dia 5 de novembro, com um workshop de reabilitação psicossocial que teve participação de Richard Warner, professor da Universidade de Colorado, nos Estados Unidos. Foram debates sobre diversos aspectos ligados ao tema principal, como tratamento na comunidade, inserção no mercado de trabalho, envolvimento do paciente e programas de combate ao estigma, que segundo o palestrante estrangeiro são importantes para a inserção social. “Pacientes reais não parecem tão doentes quanto a imagem que a mídia faz deles”, comentou.

O workshop também teve apresentações da terapeuta ocupacional Cecília Villares, que atua na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e participa de um programa internacional de combate ao estigma, do psiquiatra Mario Mateus, também da Unifesp, de Luis Fernando Tófoli, da Universidade Federal do Ceará, e de Jorge Cândido de Assis, da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia (Abre).

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