ABP participará de seminário sobre saúde mental nas grandes cidades

13/06/2008


Pedro Gabriel Delgado, Gilda Paoliello, João Alberto Carvalho e Fernando Ramos

Convite oficial para atividade organizada pelo Ministério da Saúde foi feito pela Coordenadoria de Saúde Mental do MS

A Associação Brasileira de Psiquiatria, na pessoa do seu presidente, João Alberto Carvalho, recebeu hoje (13) uma carta do coordenador nacional de saúde mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado. A missiva é o convite oficial para participação da ABP no I Seminário Nacional de Saúde Mental nas Grandes Cidades, que acontecerá nos dias 17 e 18 de junho, em Campinas (SP).

O evento, organizado pelo MS, pretende “contribuir para o encaminhamento de um dos problemas mais importantes do país, que é o atendimento às Emergências Psiquiátricas nas cidades de grande porte”, conforme informa o texto assinado pelo representante do Ministério.

Como já havia um convite informal para o seminário, a diretoria da ABP enviou uma carta à Coordenação de Saúde Mental do MS, na qual afirma o posicionamento da organização. “É com opiniões e propostas claras e bem fundamentadas em evidências que a ABP aceita o convite para participar deste Seminário, acreditando que se o diálogo técnico prevalecer poderá haver avanços significativos na qualidade da atenção dispensada aos pacientes com transtornos mentais”, diz o trecho final do documento.

A formalização ocorreu no mesmo dia em que foi realizada a segunda Mesa Eixo da VI Jornada Sudeste de Psiquiatria, que debateu “a reforma: suas propostas e impasses”. A atividade teve participação de João Alberto e Pedro Gabriel, além dos psiquiatras Fernando Ramos e Gilda Paoliello.

Leia abaixo a íntegra do ofício enviado pela ABP à Coordenadoria de Saúde Mental do Ministério da Saúde:

A Associação Brasileira de Psiquiatria aceitou o convite do Ministério da Saúde (Coordenadoria de Saúde Mental) para participar do I Seminário Nacional de Saúde Mental nas Grandes Cidades, a ser realizado em Campinas, nos dias 17 e 18 de junho próximos. Reafirmamos nosso compromisso com o debate científico em relação às políticas públicas.

Desde já convém salientar que não concordamos sugestões de que construir mais CAPS (I, II, III, AD ou i) seja a solução para o problema da falta de atendimento de pacientes com transtornos mentais, seja nas grandes ou nas pequenas cidades. Os CAPS, na realidade, têm se mostrado incapazes de cumprir o papel tão abrangente que se pretendia que eles tivessem. Os doentes mentais, lembramos, devem ser tratados como os pacientes de medicina geral, em locais onde possam receber atenção integral. Isso não é o mesmo que negar a importância de ações conjuntas envolvendo diferentes disciplinas. Por tudo isso, estamos também comprometidos com a implantação de unidades psiquiátricas em hospital geral e com o desenvolvimento do projeto de saúde do homem no Brasil.

Principalmente em grandes cidades o que precisamos é de uma rede de serviços (PS psiquiátrico em HG, ambulatórios, leitos e unidades psiquiátricas em HG, Hospitais especializados e até CAPS), hierarquizada, com porta de entrada bem definida, com sistema de referência e contra-referência e serviços de atenção primária que contem com a retaguarda de psiquiatras.

Apesar da inegável importância do problema do abuso/dependência de substâncias nas grandes cidades e nas populações de rua, não se pode restringir a discussão a esse grupo de pacientes, nem utilizá-lo como modelo para atendimento de pacientes com outros transtornos mentais muito prevalentes, que têm particularidades e exigem atenção diferenciada. Algo que não tem sido suficientemente discutido quando se trata de abuso/dependência de substâncias é que justamente nestes casos deve ser privilegiado o modelo de tratamento integrado, que não exclua todas as possibilidades de atendimento, mesmo as internações psiquiátricas, em função da alta prevalência de comorbidades psiquiátricas e outras doenças clínicas.

É com opiniões e propostas claras e bem fundamentadas em evidências que a ABP aceita o convite para participar deste Seminário, acreditando que se o diálogo técnico prevalecer poderá haver avanços significativos na qualidade da atenção dispensada aos pacientes com transtornos mentais.

 

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