Psiquiatria forense nos hospitais de custódia
Grupo específico para área de atuação foi criado pelo Departamento de Ética e Psiquiatria Legal da ABP
Avaliar nacionalmente as condições dos hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico para propor e cobrar melhorias junto às autoridades responsáveis. Esses são os principais objetivos da série de visitas promovida pelo Grupo de Trabalho para Estudo das Políticas Referentes à Psiquiatria Forense, do Departamento de Ética e Psiquiatria Legal da ABP.

Talvane Moraes, Hilda Morana e João Carlos Dias, representantes da ABP
As atividades começaram na última quinta-feira (17/07), na cidade de Franco da Rocha, em São Paulo, onde os psiquiatras Talvane Marins de Moraes, João Carlos Dias e Hilda Morana, representantes da ABP, conheceram os hospitais de custódia Prof. André Teixeira Lima e Franco da Rocha 2. Segundo eles, as visitas acontecerão também em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e Manaus.
Antes de verificar a estrutura de cada instituição, os médicos reuniram-se com a direção dos hospitais para conhecer as dificuldades enfrentadas cotidianamente pelos gestores. Foram levantados problemas como a necessidade de acompanhamento dos pacientes nos programas de desinternação progressiva, a realização de perícia de cessação de periculosidade e, principalmente, a falta de profissionais na área técnica.

Comissão da ABP e diretores do Hospital André Teixeira Lima
Segundo os representantes da ABP, os dois hospitais encontram-se em situação parecida. Apesar da falta de recursos destinados à área pela Secretaria de Administração Penitenciária, os diretores e funcionários oferecem o melhor tratamento possível. No Hospital Prof. André Teixeira Lima são 598 pacientes e apenas 8 médicos psiquiatras. Segundo o diretor da instituição, Sidney Corocine, não há incentivo para esses profissionais. “Além da baixa remuneração, faltam estímulos para compensar a distância e o preconceito quanto ao perfil dos pacientes, tidos como violentos. Aqui, já tivemos concurso para médico psiquiatra em que não apareceu sequer um concorrente”, exemplificou.
Em Franco da Rocha 2, são 210 pacientes. A equipe técnica é formada por 10 médicos, 4 psicólogos, 3 assistentes sociais, 1 enfermeiro, 15 auxiliares de enfermagem, 1 nutricionista e 1 dentista. “Se fossemos colocar em prática o programa de reabilitação e reinserção, teríamos que ter mais profissionais na área técnica”, comentou a diretora do hospital, Odete Lanzotti.
O Grupo de Trabalho para Estudo das Políticas Referentes à Psiquiatria Forense é formado por: Hilda Morana, Talvane Marins de Moraes, Luiz Carlos Coronel, João Carlos Dias, Miguel Chalub e Elias Abdalla Filho. |