Orgulho de ser psiquiatra
01-06-2007
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Abertura da XI Jornada Nordestina de Psiquiatria, em Aracaju, é marcada por excelência científica e defesa da profissão
Desde ontem (31/05) e até sábado, Aracaju é o centro da psiquiatria do Nordeste. A cidade está recebendo a XI Jornada Nordestina de Psiquiatria, VI Jornada Sergipana de Psiquiatria e III Encontro de Interconsulta Psiquiátrica. O evento reúne cerca de 350 participantes da região, entre estudantes e profissionais, interessados em aprimorar seus conhecimentos.
O programa científico do 1º dia ofereceu palestras com a Professora Alexandrina Meleiro, da USP, e com o Professor Audenis Peixoto da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas.
Alexandrina é médica do Instituto de Psiquiatria da USP, autora de três livros sobre saúde mental e tem centenas de artigos e trabalhos publicados sobre o assunto. Apresentou na Jornada uma palestra onde abordou os diversos aspectos e manifestações dos transtornos do humor. Antes, concedeu entrevista na TV e teve oportunidade de esclarecer conceitos básicos para os telespectadores.
Audenis Peixoto, presidente da Associação Alagoana de Psiquiatria e professor da UNCISAL apresentou aula sobre transtornos psicóticos.
O dia, no entanto, ofereceu mais que discussões científicas. Pela manhã já era possível ler um artigo em jornal de Aracaju com o título “Psiquiatria, avanços e retrocessos”, assinado pelo presidente da Associação Sergipana de Psiquiatria – ASP -, José Hamilton Maciel Filho, onde ele afirmava que eventos como a Jornada Nordestina “ao mesmo tempo em que apresentam avanços científicos e modernos métodos de tratamento, demonstram o sensível paradoxo enfrentado pela psiquiatria brasileira”.
Essa contradição, segundo ele, está exposta no “sentimento entre os psiquiatras de que, quanto mais se aplicam no aperfeiçoamento da sua profissão, menos são valorizados pela administração pública”. Essa conclusão, de acordo com Hamilton, parte da análise de que “a medicina adquiriu uma capacidade crescente para diminuir, a cada dia mais, o sofrimento experimentado por pacientes e familiares que, segundo pesquisa recente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) – Datafolha, são cerca de 10% da população”. Por outro lado, continua “esse potencial é constantemente subutilizado nas políticas públicas de saúde mental e, parece aos médicos, de maneira intencional e sistemática”.
A abordagem desse atípico momento profissional enfrentado pelos psiquiatras prosseguiu na solenidade de abertura na palestra do presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP -, Josimar França. Ele afirmou que seu principal objetivo no cargo, “é permitir ao associado ter orgulho de ser psiquiatra”. Essa missão, segundo França, foi imposta por anos de políticas públicas que pretenderam estigmatizar a atuação dos médicos.
Medidas nesse sentido prosseguem, de acordo com o presidente da ABP, na orientação da chamada reforma do modelo de assistência em saúde mental em execução pelo Ministério da Saúde. “Não fomos convidados adequadamente para o planejamento dessa política”. Por isso, informa “não vamos atender convocações para audiências com apenas 24 horas de antecedência e onde, já sabemos, não há interlocutores dispostos a ouvir nossos argumentos”.
Mesmo essa dificuldade, “não impediu a ABP de assumir sua responsabilidade em relação ao futuro da saúde mental no Brasil”, diz França. A associação produziu um documento intitulado “Diretrizes para um modelo de assistência integral em saúde mental no Brasil”, que apresenta as sugestões dos psiquiatras para qualificar o atendimento público.
O estudo aborda a infra-estrutura do sistema, financiamento, procedimentos adequados, entre outros pontos. Mas a informação central das “diretrizes”, segundo o presidente da ABP, é que os gestores devem construir uma rede de serviços hierarquizada, regionalizada e organizada de modo que funcione de maneira integrada, sem ter como centro o hospital psiquiátrico nem nenhum de seus outros componentes. E, principalmente, ensina França, o sistema de saúde deve estar preparado para atender as necessidades do paciente a partir da indicação médica. “Não se pode tratar os transtornos mentais por meio de portaria do Governo. Os únicos habilitados para decidir sobre a internação ou alta dos pacientes são os psiquiatras”, finaliza.
O documento “Diretrizes para um modelo de assistência integral em saúde mental no Brasil” já foi protocolado no Ministério da Saúde e encontra-se à disposição dos seus técnicos.
XI Jornada Nordestina de Psiquiatria
Informações no site: www.aspsergipe.org.br