Pesquisa revela falhas no acesso a tratamento psiquiátrico
Entre os brasileiros que necessitam de atendimento especializado em saúde mental, 57% consideram difícil conseguir o atendimento nos serviços públicos. Essa é uma das principais conclusões da pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Ibope. Para chegar nesse resultado, foram entrevistadas mais de duas mil pessoas em todo o país.
Numa comparação com estudo semelhante realizado no ano passado pela ABP, o número de brasileiros insatisfeitos aumentou 10 pontos percentuais. Isso explicaria a queda de 72% para 64% no número de usuários do SUS. A porcentagem de pessoas com transtorno mental grave manteve-se estável em 9%. Esse valor corresponde a 17 milhões de pessoas portadoras de doença mental que precisam de atendimento especializado.
Entre os que utilizam o sistema público, apenas 33% conseguiram agendar consulta no tempo considerado ideal (15 dias). A maioria dos portadores de transtornos mentais graves tem de esperar mais para um mês até ser atendido pelo SUS. Segundo especialistas, esse é um dado alarmante. “Existem situações em que o transtorno traz riscos para o portador e seus familiares, nesses casos o tempo de espera é preocupante”, explica o presidente da ABP, Josimar França.
Por outro lado, entre os que conseguiram atendimento público, a avaliação sobre a qualidade do serviço melhorou no período. Isso deve-se, entre outros fatores, à atuação de organizações não-governamentais e hospitais universitários.
A pesquisa também verificou a avaliação dos usuários de planos particulares (15% do total). Entre eles, 74% consideraram que o acesso ao tratamento foi fácil. Para ver a pesquisa completa, clique aqui.