Discriminação e estigma

03/12/2008

Telmo Kiguel - Coordenador do Departamento de Psicoterapia e do Projeto Discriminação da Associação Brasileira de Psiquiatria

Comentário sobre o artigo “A história de um estigma”, de Moacyr Scliar, publicado no dia 29/11 pelo jornal Zero Hora

Poucas vezes a imprensa mundial publicou tantas matérias sobre as discriminações como em 2008.

No EUA foram vários meses de reportagens, em função das eleições presidenciais. O processo iniciou com as prévias do Partido Democrata: seria pior uma mulher ou um candidato negro e de origem muçulmana? Depois, na disputa com o Partido Republicano, o componente racista se manteve e novamente não foi suficiente para evitar a eleição do 1º negro como presidente do país.

Depois disso, foram os episódios racistas na Espanha contra a possibilidade de um negro se tornar campeão, pela primeira vez, na fórmula 1. O que os racistas temiam acabou acontecendo. Ainda no âmbito esportivo, a Europa testemunha o andamento de processos por manifestações racistas no futebol.

Em Porto Alegre, um membro de uma torcida organizada do Grêmio (que também é conselheiro do clube) que discrimina negros, mulheres, homossexuais e crianças atirou no final de um jogo contra um outro torcedor do clube porque ele carregava uma bandeira com a imagem de um negro (o falecido jogador Everaldo, campeão do mundo em 1970 no México). Detalhe: ele acabara de torcer por um time formado por 9 ou 10 jogadores negros.

No dia 23 de novembro, a Folha de S. Paulo publicou um caderno especial sobre o racismo com ótimos conteúdos. Há poucos dias, na Índia o terrorismo também tinha um componente de discriminação religiosa.
E agora vemos este belo artigo publicado no jornal Zero Hora tão a propósito de dois projetos da Associação Brasileira de Psiquiatria: Discriminação e Combate ao Estigma.

Chama a atenção o empenho de segmentos da imprensa divulgando matérias com objetivo de incentivar o debate dessas questões para diminuir o sofrimento mental e físico causado por preconceitos, estigmas e discriminações.

O que somado ao empenho dos grupos discriminados, tem contribuído para alguns avanços saudáveis.

 

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